quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Sextas - Cap II

E Ai vai a segunda parte dessa merda! XD Nossa, primeira vez que eu coloco a continuação de uma de minhas historias. Tinha que ser a mais lixo pra continuar, ne?!
Anyway, regras de antes. Não me xinguem, por favor! KKKKKK



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Outra sexta feira.

Acordei cansado, preocupado, sem vontade alguma de me levantar. Fiz todo o meu ritual de sextas, era automático. E irritei-me quando notei que continuava a me arrumar.

Deixei de passar perfume propositalmente. Sai mal humorado e cheguei ao escritório sem dizer nada para ninguém.

-Bom dia Dr. Corbie...Os Professores. – Não a deixei terminar e apenas entrei no meu escritório, já sabendo quem estava dentro e preparado para mais uma manha chata.

Foi uma manha como todas as outras de sexta, mas era irritantemente diferente. Parecia tudo pior que nunca.

A tarde chegou e eu estava sentado em minha poltrona, novamente observando a rua. Meus olhos a procuravam sem minha permissão sem serem capazes de encontra-la no meio de tantos adolescentes de saída.

Os carros iam embora. Poucos iam a pé, para cafés e restaurantes caros ao lado do colégio. Nada dela.

-Dr., o paciente das 18...- E ela simplesmente não veio.

Era frustrante. Estava preocupado pela manha, ainda repassando mentalmente o que diria e como agiria para no fim ela não aparecer e ainda por cima ficar decepcionado com isso.

-Mande-o entrar.

E o dia seguiu, pior que todos os outros, e sem ela.

De noite, parti sem mais para meu apartamento, passando na frente de um buteco velho e mal freqüentado. Um cabelo vermelho néon estava do lado de dentro e eu senti meu coração travar. Olhei melhor e senti um alivio com decepção voltarem a minha boca. Era apenas outra mulher qualquer.

Larguei meu carro, subi o elevador, adentrei meu apartamento e segui minha rotina de higiene. Não tinha fome, nem vontade de comer.

Pensei que dormiria fácil, já que estava exausto e esgotado emocionalmente. Grande erro. Demorei horas, eu acho, e quando consegui, tive um sonho que certamente me perseguiria por um bom tempo.

Estávamos nos dois novamente. Revivendo a cena do beijo. Sentia o calor de seu corpo, seu perfume marcante e o sabor de sorvete de morango de seu batom. Sua boca. Seu sabor próprio. Nossas respirações acelerarem, a falta de ar que nossa fome criou. Quando ela se afastou, foi para retirar meu óculos e dizer outra coisa. A cena começava a mudar.

-Você tem medo.

-Vá embora

-Você tem medo de admitir que gosta de mim. Que me ama e me deseja.

-Não é verdade.

-Você retribuiu meu beijo

-Eu

-Você quer! Apenas ignore-os! Eu imploro, Nathan, Eu preciso de você!

E antes que eu pudesse tira-la do meu colo ou argumentar, ela novamente tomava meus lábios. Era irresistível e inegavelmente errado. Não conseguia deixa-la ir dessa vez. Pelo contrario, agarrava-a ainda mais, apavorado com a possibilidade dela sumir e se enfiar num buteco qualquer, bebendo cerveja vagabunda e sendo agarrada por outro homem, um bêbado nojento.

Minhas mãos a apalpavam por inteiro, agarrando-a sempre mais, puxando-a sempre mais para mim, desesperado. Preciso de você.

Os outros não existiam, e ignorava completamente que a porta do escritório sempre ficava destrancada. Nada importava. Algo começava a endurecer e a incomodar dentro da minha calça e certamente eu estava ficando mais envergonhado a cada segundo. Tentei recobrar minha consciência e faze-la me largar. Consegui. Bia também notara algo crescer lá e começar a cutuca-la.

Queria fazer algo, mas estava perdido demais em seus olhos e em sua boca, vermelha pelo beijo. Ela sorria, divertindo-se com aquilo e me senti insultado. Eu era seu brinquedo! Mais um que ela exercia poder e manipulava a seu bel prazer.

-Ora sua... – E fui calado com outro beijo, tão voraz quanto o primeiro. Com a diferença que dessa vez ela parecia menos apaixonada e mais excitada. Novamente, não pensava, não ligava para o que ela planejava com aquilo tudo e apenas voltei a agarrar-me com minha paciente chegando a perder a noção de onde terminava meu corpo e começava o dela.

Até sentir uma de suas mãos descerem do meu pescoço, onde me abraçava, e irem de encontro ao zíper da minha calça. Alisando a região e me provocando. Meu coração batia com mais força agora. De excitação e ódio.

Segurei novamente seus braços, forçando a a se afastar de mim e a me encarar. Continuava a se divertir, e agora ria.

-Agora. –Ordenei. Seus olhos sempre divertidos e carinhosos, agora estavam pervertidos e cobiçosos. Já não ligava mais pro que aconteceria. Não permitiria que uma adolescentezinha me usasse. Eu quem a usaria.

Obedeceu. Saiu de meu colo e ajoelhou-se de frente para a poltrona. Apenas a observava com ódio. Já tinham me enganado uma vez, não aceitaria uma segunda. – Abra. – Ela abriu minha calça e abaixou minha roupa de baixo, buscando meu membro rígido e pondo-o para fora.

Cada segunda, as coisas se tornavam piores. Meus sentimentos se misturavam a cada toque, lambida que ela dava. Gemia, chamava por seu nome, queria sentir seu peso em meu colo novamente. Queria toma-la para mim ali mesmo, e que se exploda a ética!

Humilhantemente, agia como um verdadeiro virgem e acabei indo rápido demais. Ou foi um barulho irritante ao fundo. Um barulho agudo, insistente.

Acordei quase jogando o maldito despertador pela janela. Tinha esquecido me completamente na noite anterior de desliga-lo.

Notei algo molhado e gosmento tocando minhas genitais e tive a vergonhosa constatação que tive uma Polução noturna.

-Droga! – Tudo que conseguia dizer, tamanha minha vergonha e humilhação diante de um sonho. Sonhos são pessoais. Se eu o tive, foi porque meu inconsciente o quis. Mais do que depressa, me levantei e fui tomar um banho, tentando desacelerar meu coração e acalmar meu organismo. Em seguida, troquei toda a roupa de cama e joguei a suja na maquina, ainda que minha vontade fosse de tacar fogo nela.

-Bia...

Para a minha infelicidade, as três semanas que se seguiram foram exatamente iguais. Tinha sonhos terríveis com Beatrix durante a noite – quinta a noite ou sexta a noite, as vezes, nos dois dias - e ela parou de ir ao consultório, sem dar nenhum tipo de aviso antes ou explicação para suas ausências.

Quando finalmente passa um mês, e começo a simplesmente guardar todas as minhas coisas e dispensar gradativamente meus pacientes para começar a dedicação total como professor, ela surgem.

-Então...O que houve?

Silencio. Ela parecia ter sido levada ali a força. Estava com o uniforme impecável, sem maquiagem, a camisa branca fechada sem aparentar outra por baixo. Cabelos presos por uma trança. Estava, definindo rapidamente, outra garota.

-Beatrix Maxwell, quero a explicação para a sua ausência durante quatro semanas consecutivas. – Tentava instiga-la, impondo a voz ainda que de forma carinhosa.

Ok, não estava muito certo se queria ou não ouvir sua explicação. Alias, ao ponto em que eu estava, não fazia mais idéia alguma de nada para fazer. Sentia-me perdido num barco sem bússola depois de uma tempestade me arrastar para muito longe da minha rota, e o céu ainda coberto de nuvens. Sem ponto de referencia. Sem guia, sem nada.

-Você sabe muito bem porque não vim. – Ela ainda não tinha dirigido seus olhos até a minha pessoa, apenas os focava no carpete, em algum ponto qualquer e fazendo força para se manter assim.

-Não, eu não sei de nada. Você quem se retirou daqui da ultima vez as pressas, sem explicações. Eu as quero.

-Não seja Cínico! – E me fuzilou com um olhar que sinceramente, senti todos os meus órgãos internos congelarem. Sede.

-Não estou...

-Está. Sabe o que aconteceu da ultima vez, não tente ignorar. Sabe porque não vim até hoje, e deve saber também que se não fosse obrigada, não viria mais aqui.

E afinal, ela era realmente uma mimadinha que não aceitava perder um jogo.

-Pode acabar logo com isso de uma vez por todas, admitir que não preciso mais de tratamento e me liberar? – E lá se foi seu olhar pra algum ponto da sala longe de mim. Não. Não era uma garota mimada. Tinha algo em seus olhos que ela queria esconder e eu precisava saber, apesar do pavor de já imaginar o que seria.

-Não sei de nada sobre seu tratamento ter terminado. A partir do momento em que tem um rompante daqueles, não vejo como libera-la sem mais nem menos. – Tentei, me esforcei ao máximo para continuar com a linha profissional, ainda que minhas preocupações que realmente estivessem começando a dirigir aquela sessão.

-Bia...Por favor. – Ela se levantou para ir embora novamente. Instintivamente, levantei-me ao mesmo tempo e fui atrás dela. A impedi.

-Me larga! – Não estava gritando ainda, por sorte, mas tinha uma força considerável que aplicava pra tentar se livrar dos meus braços.

-Não! Agora me escute!

-Escutar o que!? Uma desculpa qualquer sua para esconder sua covardia?! Você retribuiu! Você queria tanto quanto eu mas é covarde demais pra fazer qualquer coisa! – Dizia quase aos gritos enquanto tentava cada vez mais desesperada se soltar dos meus braços. Felizmente, estava se cansando, sua raiva passava e eu pude ter a confirmação do que seus olhos queriam tanto esconder. Tristeza.

-Me solta... – Pediu, tentando falar o mais rápido possível para que eu não notasse a diferença. – Você não é só um especialista em medo por estudar, mas também por ser um covarde incurável! – O baque daquelas palavras a deu segundos de vantagem para conseguir se soltar e correr pro outro lado do cômodo. Queria ficar o mais longe possível de mim depois de ter tentado estar o mais próximo que a física permite. Se não fosse minha posição estratégica entre ela e a saída, certamente teria feito que nem da ultima vez, ido embora batendo a porta e sem mais.

Tinha passado um mês dormindo mal, comendo pouco e quase desmarcando todos os meus pacientes sempre que podia, tudo porque uma pirralha desgraçada tinha embaralhado minha cabeça, e para pior, ainda tinha que ouvi-la falar a verdade.

Não conseguia falar, não conseguia pensar, precisava resolver aquilo rápido antes que surgisse a oportunidade de fuga. – Bia...Por favor...Eu. – Antes que eu pudesse terminar, ambos fomos surpreendidos por um bater na porta e uma cabeleira loira pintada aparecer pela fresta.

- S-seu Café, Dr. Corbie. E...Bia! – Miranda tinha aberto a brecha perfeita para a garota fugir, e obviamente, ela não perdeu a oportunidade e enquanto estava me recuperando do susto e pavor momentâneo de ser pego naquela situação, Beatrix já estava do lado de fora, saindo do escritório e descendo as escadas correndo.

-Miranda! – Minha secretaria ficou branca feito papel, saiu de lá gaguejando desculpas enquanto eu tentava me orientar em meio ao Caos. Existe ordem no Caos, infelizmente é quase impossível nota-la quando se está dentro dele.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Sextas - Cap I

Não tenho um nome pra essa história XD Só que simplesmente ela se enfiou na minha cabeça e não me deixa dormir de tanta ansiosidade! Aos que ja falei no msn, O nome foi alterado por motivos obvios HOHO Mas é a msm pessoa q vcs já sabem XD
Aceito sujestão de nomes pra historia. Ela será curta (I Hope).
E sem mais enrolaçoes XD Lá vai a merda
Por favor, sem xingamentos!.



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Mais uma sexta feira

E mais uma sexta em que acordo bem humorado.

Não sei direito quando eu passei a gostar desta data, mas simplesmente adoro as sextas.

Acordo cedo, tomo meu banho, me barbeio (caso já tenha o suficiente para isso) passo desodorante, loção e perfume, um pouco de creme no cabelo e simplesmente o penteio para trás. Meu armário não tem grandes variedades de roupa, mas sempre busco minha melhor. Afinal, é sexta!

Saio do meu apartamento, cumprimento meus visinhos. Hoje é o dia que nem aquela criança asquerosa dos vizinhos é capaz de me tirar o sorriso. Nem o meu carro velho e problemático me incomoda. A não ser, é claro, que ele me atrase para o trabalho.

Meu escritório fica próximo ao centro, ao lado de um colégio da elite. É bom para mim, que trata de adolescentes revoltados, seus pais me pagam muito bem todos os meses achando que sou capaz de concertar seus grandes defeitos. Tão ingênuos.

- Bom Dia, Miranda. – Digo a minha secretaria, que estranhamente cochichava com a secretaria de um escritório visinho ao nosso. Ela me sorriu como se estivesse se divertindo muito com uma piada. – Posso saber o que as belas senhoritas estão tramando?

-Bom Dia, Dr. Corbie...Não estamos tramando nada, apenas comentando a sua rotina de sexta feira. – Bingo, sabia que eu estava no meio.

-E posso saber o que tem de tão interessante em minha rotina de sexta? – Indaguei com um sorriso gentil e altamente perigoso. Miranda não deve ter entendido o recado, ou eu estava de tão bom humor hoje que ela simplesmente arriscou e seguiu.

-Nada de mais, apenas que você sempre faz a barba as sextas, você sempre veste sua melhor roupa as sextas, e também sempre passa seu perfume favorito. Tudo, apenas as sextas. Estávamos pensando que talvez, bom, alguma senhorita o estivesse fazendo-o feliz. – Estivesse dando pra mim, ela quis dizer. Conhecia-a bem, desde que abri meu escritório eu sei o perfil de pensamentos que essa mulherzinha de cabelos oxigenados tem. Mas isso não importava. Era sexta feira.

-Não posso apenas estar feliz de ser o ultimo dia da semana e que nos próximos dois dias estarei livre dessas adoráveis criaturas que passam por aquela porta e seus pais? – Ela deu ombros e apenas sorriu em resposta. A sua amiga do escritório ao lado notou meu olhar e saiu de fininho. – De qualquer forma, Dr., os professoras da universidade estão a sua espera. Deixei-os entrar e já servi um café. Gostaria que eu buscasse o seu?

-Fez bem em manda-los, e sim, agradeceria se apanhasse um café para mim também. – Finalizei a conversa e parti. Por alguma razão minha sexta parecia em perigo se eu continuasse aquela maldita conversa com a secretaria.

Bom, a manha em si foi bem simples. Conversas amenas sobre a faculdade e meu ingresso como membro oficial do corpo docente. Eles estavam impressionados com meu trabalho, assim como todos, mas isso simplesmente não era o suficiente para me animar. Sabia que o melhor estava por vir. Sorri, me despedi de todos e fui almoçar.

Observava sentado em minha poltrona a paisagem da rua. Precisamente, o colégio que tinha ali, e os carrões com motorista que vinham buscar os alunos. Sem perceber, mudei um pouco o foco de minha atenção para meu reflexo no vidro e passei a observar-me. Miranda estava certa. Estava mudando meus hábitos tão lentamente que nem me apercebera disso antes, que tudo que faço para melhorar meu visual é sempre as sextas pela manha. E isso estava sendo suficiente?

- Dr. Corbie? – E falando no diabo, lá estava ela na porta, sem ter batido. – Eu bati. – Ela disse, imaginando que levaria uma espetada minha por entrar sem antes avisar. – Miss. Maxwell está aqui.

-Mande-a entrar.

Virei me para a porta, sorrindo sem imaginar que o fazia.

Beatrix Maxwell é a típica adolescente rica encrenqueira que acredita piamente que pode fazer o que quiser para chocar e controlar o mundo. Sempre com roupas provocantes, maquiagem pesada e cabelo pintado de cores anormais. Se não fosse por sua inteligência, seu gênio se igualaria as demais moças de seu colégio. Alias, esse colégio que ficava bem próximo ao meu prédio. Era simplesmente maravilhoso conversar com ela, já que é difícil encontrar alguém com quem conversar e não simplesmente ensinar ou fingir que está interessado naquela chatice de convivência que nosso contrato social nos impõe.

-Vejo que mudou a cor para vermelho dessa vez. – Comentei ao ver a mudança radical de verde para vermelho néon. Sua roupa, por outro lado, era o uniforme de sempre, sua blusa social com o brasão da escola, saia de prega xadrez vermelha e verde e os sapatos de couro sujos. – Qual a personagem agora?

Ela me sorriu e senti minhas bochechas doerem. Parecia que meu sorriso alargava-se com o dela, e depois de tanto tempo já o fazendo, isso incomodava meus músculos faciais desacostumados ao movimento.

-Off with your head. – Resposta simples, objetiva, divertida e literalmente a cara dela. Bia jogou-se na poltrona destinada aos pacientes como sempre o fazia e passou a me encarar com um enorme sorriso.

- Tem um ano já.... Oras! Um ano que finalmente inaugurou seu próprio escritório, em vez de continuar apenas como estagiário da universidade! – Sua explicação completa deve ter vindo depois da minha expressão de perdido.

-Você tem uma boa memória Miss. Maxwell. E...?

-Credo Nathan! Já devo ter dito um milhão de vezes para não me chamar dessa forma, parece um médico! Só falta aquela bobagem toda de “e como se sente hoje?”

Não tive como não rir com a piadinha dela.

-Eu Sou um médico de certa forma, Miss Maxwell. E já estava me esquecendo disso, obrigado por me lembrar. Como se sente hoje? – Certamente teria voado algo em mim caso ela não estivesse de mãos vazias.

- Há há, muito engraçadinho, Dr. Corbie! – Ok, talvez eu entendesse seu ponto de vista sobre ser chamada pelo sobrenome e não pelo nome. Era simplesmente estranho e desconfortável quando ela fazia isso comigo. – Vou muito bem, sinto me maravilhosa depois de expor me na mesa de um carniceiro, como diz meu pai, e marcado minha pele finalmente. – Bia ajeitou sua postura, assumindo o papel de paciente cooperativa e interessada em fazer o tratamento dar certo. E isso certamente tornava as coisas ainda mais desconfortáveis.

-Então, passou a mutilar e marcar o seu corpo também? – Não estava feliz com isso, em contra partida, ela parecia, e muito. Seus lábios pintados de vermelho vivo curvaram-se ainda mais, aumentando o sorriso.

Ela se levantou, foi até o meio de minha sala em silencio. Retirou a blusa do colégio – já estava aberta mesmo, mostrando um corpete preto por baixo, de alças finas e com bojo – e em seguida, virou-se de costas para mim e retirou essa peça também.

Não sei o que deu em mim, minhas faces queimavam e eu sentia meu corpo se revirar por dentro, numa ânsia sem explicação. Tudo porque eu estava vendo suas belas curvas alvas, de costas, mostrando duas marcas negras como as de um violino na cintura. Sua primeira e nova tatuagem. – Por favor, Miss. Maxwell, vista-se. – Pedi, começando a sentir me mal e nem sabia o por quê.

-Oras, não gostou? E nem ao menos um comentário sobre como Freud explicaria isso? – Riu, divertindo-se muito com minha reação. Eu havia me perdido demais com tudo aquilo que ela estava expondo para reparar que ela virara a cabeça para o lado e passara a observar atentamente minhas reações.

-Por favor, Vista-se! – Disse mais uma vez, tentando impor mais firmeza e liderança desta.

Mesmo com cara emburrada, Bia finalmente vestiu suas blusas e voltou a se sentar. Foco! Foco! Me forcei a desviar o olhar de seu corpo e fui atrás de um lenço para limpar meus óculos quadrados.

-Não sabia que era tão careta

-Querer que se preserve e mantenha um nível em meu consultório é ser careta?

-Eu não fiz nada de mais, só queria mostrar minha nova Tattoo...

-E agora acha que vem aqui só para conversar?

-Certamente não venho aqui para me tratar!

E nessa hora ela se silenciou, estudando minha expressão para depois suspirar e rir, num misto estranho de desapontamento e divertimento.

-Sério...Sério mesmo que depois de dois anos você não tenha percebido o rumo das coisas?

-Do que está falando?

-Sobre você sempre se barbear as sextas, sempre vestir sua melhor roupa as sextas, passar perfume...Enfim, se arrumar como se fosse conquistar alguém nesse dia.

-Como pode afirmar isso? – E lá estava novamente essa afirmação. Meu estomago começava a se revirar, e quando eu finalmente passava a perceber que as sextas eram especiais, esta estava prestes a ruir, e nem sabia o por quê. – Você só vem as Sextas, nenhum outro dia.

-Ok, Dr. Corbie – E eu acho que fiz uma careta essa hora – Você é meu psicólogo ainda quando estagiava e eu tinha 12 anos. Naquela época você não se arrumava tanto, eu notei a sua mudança gradativa. Segundo, eu estudo ai na frente, te vejo todos os dias mesmo que não perceba, e sei que também me vigia da sua janela... E não tente negar! – Minha expressão certamente era de irritação por uma acusação dessas, porem deixei que prosseguisse, queria logo saber. – Todos os outros dias você está “normal”. Roupas mais antigas, expressão mais seria, as vezes, com um pequeno indicio de barba. E Miranda me confirmou, você só usa perfume as sextas também. – Agora sim, Miranda iria ouvir, e muito, sobre fofocar no ambiente de trabalho.

-E o que tem de mais em me arrumar melhor as sextas? Sabe muito bem sobre seus colegas que vem se consultar aqui, e o quanto eles são incômodos. Minha expressão se deve a isso, já com você, você é inteligente, o tempo é produtivo. – E o sorriso nos lábios pintados diminuiu, mudando para algo mais depressivo, desapontado. Não durou muito, feliz (ou infelizmente) e ela se levantou.

Já estava com meus óculos no rosto, e certamente não foi o suficiente para ler sua expressão como costumo ter facilidade faze-lo. Ela, basicamente ergueu-se da cadeira, caminhou decididamente até minha poltrona, virando-a a força para me obrigar a encara-la.

E a coisa mais estranha aconteceu.

Ela me agarrou e me beijou apaixonadamente. Uma de suas mãos segurava meu rosto com força enquanto a outra ainda segurava o encosto da cadeira. Devo ter passado um minuto inteiro agindo pela minha inconsciência, pois simplesmente quando “acordei” depois do susto, eu a estava agarrando pela cintura, retribuindo o beijo com tanta fome quanto ela veio para cima de mim. E mesmo acordado, eu não conseguia larga-la.

Foi Bia a primeira a se separar com um sorriso mais divertido e gentil nos lábios, com um acréscimo sutil de “vitória”.

-Disso que eu estou falando, Nathan... – Sua voz era baixa e carinhosa, ainda estava com o rosto muito próximo ao meu, ofegante depois do beijo.

Nunca, Nunca, Nunca quis aquilo. Já cometi meus “erros” com a sociedade, mas todos com quem mereciam. Não atacar uma paciente cooperativa e que eu gostava. NÃO! Não posso usar essa palavra.

Apesar de que, devo admitir que tomei uma atitude tão ruim – ou pior – que a de Beatrix quando a segurei pelos braços com força e a empurrei para o chão.

-Não se atreva a fazer isso novamente. – Não reconhecia minha voz, era mais forte, ameaçadora. Estava fora de mim, sem outra explicação.

Seus olhos claros encontraram com os meus, assustados, estava tão atordoada que nem ao menos reagira com insultos como costumava fazer ao ser maltratada. – Você é minha paciente, e isso é tudo. Agora levante-se e vá se sentar.

Tentei retomar meu tom controlado e indiferente, apesar de ser quase impossível aquela altura. Não obtive resposta. Ela apenas respirou fundo, levantou-se e limpou a roupa. Tinha um pequeno esfolado na perna por conta da queda no carpete. Não me olhou novamente, apenas caminhou a passos diretos para a porta.

-Beatrix Maxwell, volte a....

-Limpe a boca e passe gelo, ela está duplamente vermelha! – Interrompeu-me em tom autoritário, abrindo a porta e batendo-a atrás de si.

Talvez eu devesse ter me levantado e a impedido de partir, só era impossível faze-lo. Ainda estava tentando digerir tudo que acontecera nos últimos dois minutos.

Eu a tratava, sua agressividade excessiva desde que tinha 12 anos, alias, 13, já que no mês seguinte ao inicio do tratamento ela fez aniversario. Ainda estava estagiando, agora já tinha meu próprio escritório e continuava tratando-a, por insistência da mesma já que seu pai pensava em mudar de consultório.

Sempre mantivemos os horários das sextas.

Sempre me arrumo as sextas.

Não deve...Não Pode Ser.

Passei os dedos sobre os lábios. Ainda conseguia sentir o sabor dela, e a textura do batom que ficou em mim. Puxei rapidamente um lenço de papel da gaveta e limpei com repulsa minha boca, deixando-a ainda mais vermelha de pressão.

-Dr. Corbie? – E eu ainda mataria Miranda por nunca bater na porta. – O que...Aconteceu...? – Ela parecia escolher bem as palavras, com medo. – Bia acabou de sair na metade do tempo e...

-Traga-me um copo d´água, com muito gelo. Agora. – Sua demora em atender mereceu uma fuzilada. Daria um jeito nessa secretaria intrometida assim que conseguisse colocar meus pensamentos em ordem. – E desmarque todos os outros pacientes, eu vou para casa!

domingo, 31 de julho de 2011

Eu sou, eu sou, eu sou!

Eu sou essa contradição

Essa vontade de ser abraçada e amada, e minuto seguinte de ver o sangue escorrer.

De gritar, de quebrar, de explodir, ao passo que em seguida, posso estar querendo desesperadamente ouvir a música do silencio.

Ok, eu e o silencio não costumamos nos dar bem, ele grita a verdade e muitas vezes não estou em condições de ouvi-la.

Choro e me emociono fácil. Ao mesmo tempo, também é fácil me ver com um sorriso torto e os olhos brilhando se por acaso eu ver um certo alguém na lama, destruído.

Quero viver com todos os meus amigos, numa casa enorme e barulhenta, acordar com brigas, e até o almoço, estarmos todos rindo novamente. Mas quando paro, também quero uma casa pequena, minúscula, no meio do nada, onde tudo que meus olhos possam ver seja criação de algo maior, sem a menor interferência humana excetuando-se meu próprio lar.

Me policio para que meus podres não me vençam. E nem adianta fazer essa cara de esnobe, olhando-me de cima como se eu fosse um ser inferior, fraco, e digno de pena. Sim, tenho podres, invejo, sinto raiva, quero que muita gente se ferre lindamente. Sinto MUITO ciúmes. Mas me policio, porque eles existirem não definem quem sou, mas o que eu faço, falo, penso e principalmente o que eu sinto o fazem. Se minha vontade é de que eles não existam, de não prejudicar os que eu amo, e de que eles não deixem de ter tudo do melhor, então isso é muito mais forte que meus ciúmes, minhas invejas, e minhas magoas.

Todos temos milhões de faces jogadas pelo mar que constitui nosso ser, mas o que nos somos, é aquilo que está numa minúscula ilha deserta no meio do nada, frágil, perdida, mas lá. O que colhemos desse mar, é o que nos faz de fato.

Não faço sentido, não tenho nexo, e nenhum de meus textos tem. Mas é assim que eu sou, e assim que gosto de ser.



"Do I contradict myself? Very well then I contradict myself, (I am large, I contain multitudes.)"

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Fundo do poço


O Fundo do poço é o melhor lugar do mundo!

Não importa que caminho se tome, que atitude se tenha, só se pode subir! Então qualquer coisa te empurra pra cima, te ergue!

E no fundo do poço que mais refletimos e aprendemos, e é no fundo do poço que temos mais garra pra subir e mais gana de ver o sol por inteiro!

E principalmente...

....Foi no fundo do poço que eu achei meu ingresso pro show do SOAD! EU VOU, PORRA!*_*

PS: Se me falarem que vai ter show, esse ano, do Korpiklaani em Sampa eu saio do poço feito um foguete! =D

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Thought of You - by Ryan Woodward



Achei esse video Hoje, antes de saber da bomba que viria pouco tempo depois.
Linda animação, simples mas belissima. Acabou combinando, musica, animação, e tudo mais.
E apesar da dor, ela me faz um pouco melhor
Achei no Chongas

sábado, 9 de julho de 2011

Te entendo Calvin

Oh, Se te entendo!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Elephant Gun



If I was young, I'd flee this town
I'd bury my dreams underground
As did I, we drink to die, we drink tonight

Far from home, elephant gun
Let's take them down one by one
We'll lay it down, it's not been found, it's not around

Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big king down